Em análise sintática, a banca não quer apenas que você saiba nomes difíceis.
Ela quer saber se você entende a função do termo dentro da frase.
Classe gramatical é o que a palavra é.
Função sintática é o que ela faz na frase.
Na frase:
O candidato chegou cedo.
A palavra cedo é advérbio quanto à classe gramatical.
Mas, dentro da frase, ela exerce função de:
adjunto adverbial de tempo.
A banca mistura:
classe gramatical;
função sintática;
sentido;
posição do termo.
Por isso, antes de responder, pergunte:
Esse termo modifica, completa, caracteriza ou explica?
Advérbio é classe gramatical.
Ele pode modificar:
verbo;
adjetivo;
outro advérbio.
Chegou cedo.
Falou muito bem.
Estava bastante nervoso.
Adjunto adverbial é função sintática.
Ele indica circunstância.
Pode indicar:
tempo;
lugar;
modo;
causa;
intensidade;
finalidade;
companhia;
instrumento.
Estudo hoje.
Cheguei cedo.
Falei com calma.
Moro em Maceió.
Estudei para a prova.
A mesma palavra pode ser analisada de duas formas:
Chegou cedo.
cedo
Classe: advérbio.
Função: adjunto adverbial.
Advérbio = classe.
Adjunto adverbial = função.
Completa o sentido de verbo transitivo direto.
Em regra, vem sem preposição obrigatória.
Li o livro.
Resolvi a questão.
Comprei o material.
Encontrei o candidato.
Verbo + o quê?
Verbo + quem?
Exemplo:
Li o quê?
O livro.
Logo:
o livro = objeto direto.
Completa o sentido de verbo transitivo indireto.
Vem com preposição exigida pelo verbo.
Gosto de música.
Preciso de ajuda.
Obedeço ao regulamento.
Assisti à aula.
gosta de quê?
precisa de quê?
obedece a quê?
assiste a quê?
Nem todo termo com preposição é objeto indireto.
Se a preposição completa um verbo, pode ser objeto indireto.
Se completa um nome, pode ser complemento nominal.
É comum dizer:
objeto direto não tem preposição.
Isso ajuda no começo, mas não é absoluto.
Existe o objeto direto preposicionado.
Ele ocorre quando o verbo é transitivo direto, mas o objeto aparece com preposição por motivo de clareza, ênfase, estilo ou construção exigida por certas formas.
Amar a Deus.
Respeitar a todos.
Ofenderam a mim.
Cumprimos com o dever.
Venceram aos inimigos.
O verbo continua sendo transitivo direto.
A preposição não transforma automaticamente o termo em objeto indireto.
A banca pode colocar:
“Todo termo preposicionado que completa verbo é objeto indireto.”
Errado.
Pode ser objeto direto preposicionado.
Completa o sentido de um nome.
Esse nome pode ser:
substantivo abstrato;
adjetivo;
advérbio.
Tenho medo de altura.
Havia necessidade de apoio.
Fez referência ao edital.
Demonstrou amor à pátria.
Estou apto ao cargo.
Ela é fiel aos princípios.
O candidato estava consciente do erro.
Agiu favoravelmente ao pedido.
Manifestou-se contrariamente à decisão.
Pergunte:
O termo completa um verbo ou um nome?
Exemplo:
Tenho medo de altura.
Quem pede complemento é o nome medo.
Logo:
de altura = complemento nominal.
É o termo que acompanha, caracteriza, determina ou especifica um substantivo.
Pode indicar:
posse;
autoria;
agente;
característica;
matéria;
especificação.
O livro do professor caiu.
A casa de madeira desabou.
O aluno dedicado passou.
As duas candidatas chegaram.
Meu caderno sumiu.
O adjunto adnominal se liga a substantivo.
Ele não completa uma falta de sentido obrigatória.
Ele caracteriza, acompanha ou especifica.
O adjunto adnominal pode vir com preposição.
Por isso, não basta ver “de”, “a”, “com” ou “por” para decidir.
Quando um termo preposicionado aparece ligado a um nome, a banca pode perguntar:
complemento nominal ou adjunto adnominal?
A resposta depende da relação de sentido.
Situação
Função provável
Completa adjetivo
Complemento nominal
Completa advérbio
Complemento nominal
Liga-se a substantivo concreto
Adjunto adnominal
Liga-se a substantivo abstrato e pratica a ação
Adjunto adnominal
Liga-se a substantivo abstrato e sofre a ação
Complemento nominal
A crítica do professor foi dura.
Sentido:
o professor criticou.
O professor pratica a ação.
Logo:
do professor = adjunto adnominal.
A crítica ao professor foi dura.
Sentido:
o professor foi criticado.
O professor sofre a ação.
Logo:
ao professor = complemento nominal.
A construção dos operários demorou.
Sentido:
os operários construíram.
Agente.
Logo:
dos operários = adjunto adnominal.
A construção do prédio demorou.
Sentido:
o prédio foi construído.
Paciente.
Logo:
do prédio = complemento nominal.
Quem pratica = adjunto adnominal.
Quem sofre = complemento nominal.
É o termo que caracteriza o sujeito.
Aparece muito com verbos de ligação.
ser;
estar;
parecer;
permanecer;
ficar;
continuar;
tornar-se.
O aluno está cansado.
A prova foi difícil.
A candidata parecia nervosa.
O servidor ficou satisfeito.
O predicativo do sujeito também pode aparecer com verbo de ação.
O candidato saiu tranquilo.
O verbo “saiu” indica ação.
Mas “tranquilo” caracteriza o sujeito.
Logo:
tranquilo = predicativo do sujeito.
A banca pode dizer que “tranquilo” é adjunto adverbial de modo.
Cuidado.
Se o termo caracteriza o sujeito e varia com ele, é predicativo.
É o termo que caracteriza o objeto.
Aparece muito com verbos como:
achar;
considerar;
julgar;
declarar;
tornar;
deixar;
nomear;
chamar;
ter por.
Achei a prova difícil.
Consideraram o candidato apto.
Julgaram o réu culpado.
Ele deixou a sala vazia.
Primeiro, encontre o objeto.
Depois, veja se há uma característica atribuída a ele.
Exemplo:
Achei a prova difícil.
Objeto: a prova.
Característica da prova: difícil.
Logo:
difícil = predicativo do objeto.
Em algumas construções, o predicativo do objeto pode vir introduzido por preposição.
Chamaram o servidor de incompetente.
Tinham o candidato por favorito.
Elegeram-no por representante.
A presença de preposição não transforma automaticamente o termo em objeto indireto.
A função depende do papel na frase.
A banca pode usar uma palavra que parece indicar modo, mas que, na verdade, caracteriza o sujeito ou o objeto.
O atleta correu veloz.
O atleta correu velozmente.
No primeiro caso, veloz caracteriza o atleta.
O atleta estava veloz enquanto corria.
Logo:
veloz = predicativo do sujeito.
No segundo caso, velozmente modifica o verbo correr.
Logo:
velozmente = adjunto adverbial de modo.
Se varia com o nome, tende a ser predicativo.
Se modifica o verbo e não varia, tende a ser adjunto adverbial.
A candidata saiu tranquila.
Predicativo do sujeito.
A candidata saiu tranquilamente.
Adjunto adverbial de modo.
É o termo que explica, especifica, resume, enumera ou distribui outro termo da frase.
Vem isolado por pontuação.
Brasília, capital do Brasil, foi planejada.
Não vem entre vírgulas.
O escritor Machado de Assis é muito estudado.
O rio Amazonas é extenso.
A cidade de Curitiba é fria.
Trouxe três materiais: caneta, caderno e apostila.
Cargos, dinheiro, prestígio, nada o satisfazia.
Distribui informações entre termos anteriores.
João e Pedro são bons alunos: este em Matemática, aquele em Português.
Também pode haver uma oração funcionando como aposto.
Tenho um desejo: que você seja aprovado.
A oração explica o conteúdo de “desejo”.
Logo:
que você seja aprovado = oração subordinada substantiva apositiva.
Aposto não é vocativo.
Aposto explica.
Vocativo chama.
João, meu amigo, chegou.
“meu amigo” = aposto.
João, venha aqui.
“João” = vocativo.
Advérbio = classe.
Adjunto adverbial = função.
Objeto indireto completa verbo.
Gosto de música.
Complemento nominal completa nome.
Tenho gosto por música.
Complemento nominal pode indicar paciente.
A crítica ao diretor foi injusta.
Adjunto adnominal pode indicar agente, posse ou característica.
A crítica do diretor foi dura.
Predicativo caracteriza o sujeito.
O aluno saiu cansado.
Adjunto adverbial indica circunstância.
O aluno saiu rapidamente.
Objeto direto recebe a ação.
Predicativo do objeto caracteriza o objeto.
Achei a prova difícil.
Objeto direto: a prova.
Predicativo do objeto: difícil.
Aposto explica.
Maria, minha irmã, chegou.
Vocativo chama.
Maria, venha aqui.
“Todo termo preposicionado é objeto indireto.”
Errado.
Pode ser complemento nominal, adjunto adnominal, adjunto adverbial ou objeto direto preposicionado.
“Todo termo ligado a nome é complemento nominal.”
Errado.
Pode ser adjunto adnominal.
“Predicativo só aparece com verbo de ligação.”
Errado.
Pode aparecer em predicado verbo-nominal.
O candidato saiu satisfeito.
“Adjetivo depois do verbo sempre é adjunto adverbial.”
Errado.
Pode ser predicativo.
O atleta correu veloz.
“Aposto sempre vem entre vírgulas.”
Errado.
O aposto explicativo costuma vir entre vírgulas.
O aposto especificativo não.
“Objeto direto nunca tem preposição.”
Cuidado.
Existe objeto direto preposicionado.
Amar a Deus.
Advérbio: classe que modifica verbo, adjetivo ou advérbio.
Adjunto adverbial: função que indica circunstância.
Objeto direto: completa verbo sem preposição obrigatória.
Objeto indireto: completa verbo com preposição exigida.
Objeto direto preposicionado: completa VTD, mas vem com preposição por construção especial.
Complemento nominal: completa nome; pode indicar paciente.
Adjunto adnominal: acompanha o substantivo; pode indicar agente, posse, matéria ou característica.
Predicativo do sujeito: caracteriza o sujeito.
Predicativo do objeto: caracteriza o objeto.
Aposto: explica, especifica, resume, enumera ou distribui outro termo.
Antes de responder, pergunte:
O termo completa verbo ou nome?
O termo caracteriza sujeito ou objeto?
O termo indica circunstância?
O termo explica outro termo?
O termo pratica ou sofre a ação do substantivo abstrato?
Função sintática não se descobre pela aparência.
Descobre-se pelo papel do termo na frase.
Julgue o item.
Na frase “A crítica ao diretor foi severa”, o termo “ao diretor” exerce função de complemento nominal.
Gabarito: Certo.
Comentário GB:
O termo “ao diretor” completa o sentido do substantivo abstrato “crítica”.
O diretor sofre a crítica.
Logo:
ao diretor = complemento nominal.
Pegadinha:
Se fosse “crítica do diretor”, o diretor poderia ser agente, e o termo tenderia a adjunto adnominal.
Julgue o item.
Em “A crítica do professor surpreendeu a turma”, o termo “do professor” pode exercer função de adjunto adnominal quando indicar que o professor foi o autor da crítica.
Gabarito: Certo.
Comentário GB:
Se o professor praticou a ação de criticar, ele é agente.
Com substantivo abstrato, termo agente tende a ser adjunto adnominal.
Pegadinha:
Agente = adjunto adnominal.
Paciente = complemento nominal.
Julgue o item.
Na frase “O candidato saiu confiante da prova”, o termo “confiante” exerce função de adjunto adverbial de modo.
Gabarito: Errado.
Comentário GB:
“Confiante” caracteriza o sujeito “o candidato”.
Não indica apenas o modo da ação. Indica o estado do candidato ao sair.
Logo:
confiante = predicativo do sujeito.
Pegadinha:
Se fosse “confiantemente”, aí teríamos adjunto adverbial de modo.
Julgue o item.
Em “Julgaram o recurso improcedente”, o termo “improcedente” exerce função de predicativo do objeto.
Gabarito: Certo.
Comentário GB:
O objeto direto é “o recurso”.
O termo “improcedente” caracteriza esse objeto.
Logo:
improcedente = predicativo do objeto.
Pegadinha:
Não confunda objeto direto com predicativo do objeto.
Julgue o item.
Na frase “O escritor Machado de Assis marcou a literatura brasileira”, o termo “Machado de Assis” exerce função de aposto especificativo.
Gabarito: Certo.
Comentário GB:
“Machado de Assis” especifica qual escritor está sendo mencionado.
Por isso, é aposto especificativo e não vem separado por vírgulas.
Pegadinha:
Aposto explicativo costuma vir com vírgulas.
Aposto especificativo não.