Em análise sintática, não comece decorando nomes.
Comece localizando o verbo.
Depois, siga a ordem:
ache o verbo;
pergunte quem pratica ou sofre a ação;
encontre o sujeito;
identifique o predicado;
classifique os termos ligados aos nomes e aos verbos.
Os alunos dedicados chegaram cedo.
Verbo:
chegaram
Quem chegou?
os alunos dedicados
Sujeito:
os alunos dedicados
Núcleo do sujeito:
alunos
Adjuntos adnominais:
os, dedicados
Adjunto adverbial:
cedo
Verbo primeiro.
Depois sujeito.
Depois predicado.
Depois os termos acessórios e integrantes.
O núcleo do sujeito é a palavra principal do sujeito.
É ela que serve de base para a concordância verbal.
Os alunos dedicados chegaram cedo.
Sujeito:
Os alunos dedicados
Núcleo:
alunos
O verbo “chegaram” concorda com “alunos”.
substantivo;
pronome;
numeral substantivado;
palavra substantivada;
oração substantiva.
Os candidatos chegaram.
Núcleo: candidatos.
Eles chegaram.
Núcleo: eles.
Dois faltaram.
Núcleo: dois.
O estudar exige disciplina.
Núcleo: estudar.
A banca aumenta o sujeito para esconder o núcleo.
A maioria dos candidatos aprovados no último concurso compareceu à posse.
Sujeito completo:
A maioria dos candidatos aprovados no último concurso
Núcleo principal:
maioria
Forma mais segura em prova:
A maioria compareceu.
Em estruturas partitivas, como “a maioria de”, pode haver discussões de concordância conforme o contexto.
Mas, quando a banca quer cobrar o núcleo gramatical, a forma com o núcleo singular costuma ser a mais segura.
O sujeito oculto não aparece escrito, mas pode ser identificado pela terminação verbal ou pelo contexto.
O sujeito oculto também pode ser chamado de:
sujeito elíptico;
sujeito desinencial;
sujeito implícito.
Estudamos muito ontem.
Quem estudou?
nós
Sujeito oculto, elíptico, desinencial ou implícito:
nós
Cheguei cedo.
Sujeito oculto: eu.
Fizemos a revisão.
Sujeito oculto: nós.
Resolverei a questão.
Sujeito oculto: eu.
Dá para identificar.
Estudei muito.
Sujeito: eu.
Não dá para identificar com precisão.
Roubaram o celular.
Quem roubou? Não se sabe.
Errado dizer:
todo sujeito que não aparece escrito é indeterminado.
Se dá para identificar pela desinência verbal, é sujeito oculto.
O predicado verbal tem como núcleo um verbo significativo.
Esse verbo também pode ser chamado de verbo nocional.
Ele indica:
ação;
acontecimento;
processo;
fenômeno.
O aluno estudou muito.
A turma chegou cedo.
O professor explicou a matéria.
Choveu durante a noite.
O núcleo é o verbo principal.
Exemplo:
O professor explicou a matéria aos alunos.
Predicado:
explicou a matéria aos alunos
Núcleo:
explicou
O predicado verbal pode ter complementos.
O aluno leu o livro.
Predicado verbal:
leu o livro
Núcleo verbal:
leu
Objeto direto:
o livro
A presença de termo depois do verbo não transforma automaticamente o predicado em nominal.
O que define o predicado verbal é o núcleo verbal significativo.
O predicado nominal indica estado, qualidade ou característica do sujeito.
Estrutura comum:
sujeito + verbo de ligação + predicativo do sujeito
O aluno está cansado.
A prova foi difícil.
O dia permaneceu frio.
A candidata parecia tranquila.
É o verbo que liga o sujeito a uma característica.
ser;
estar;
parecer;
permanecer;
ficar;
continuar;
tornar-se;
andar, em certos contextos.
É a característica atribuída ao sujeito.
Exemplo:
O aluno está cansado.
Sujeito:
O aluno
Verbo de ligação:
está
Predicativo do sujeito:
cansado
Compare:
O aluno está cansado.
“Cansado” é característica do sujeito.
Logo:
está = verbo de ligação
cansado = predicativo do sujeito
predicado nominal
Agora veja:
O aluno está na sala.
“Na sala” indica lugar.
Não é característica do aluno.
Logo, nessa construção:
está = verbo intransitivo
na sala = adjunto adverbial de lugar
predicado verbal
Não decore o verbo isolado.
Veja se o termo seguinte indica característica ou circunstância.
O predicado verbo-nominal mistura duas informações:
ação + característica
Ele possui:
verbo significativo + predicativo
O candidato saiu confiante da prova.
Há ação:
saiu
Há característica do sujeito:
confiante
Logo:
predicado verbo-nominal.
Consideraram a questão difícil.
Há ação:
consideraram
Objeto:
a questão
Característica do objeto:
difícil
Logo:
predicado verbo-nominal.
A banca pode dizer que “confiante” é adjunto adverbial de modo.
Cuidado.
Se o termo caracteriza o sujeito ou o objeto, tende a ser predicativo.
Compare:
O candidato saiu confiante.
Predicativo do sujeito.
O candidato saiu rapidamente.
Adjunto adverbial de modo.
Se varia com o sujeito, desconfie de predicativo.
Se modifica o verbo e não varia, desconfie de adjunto adverbial.
Sujeito paciente é o sujeito que sofre a ação verbal.
Ele aparece na voz passiva.
Agente da passiva é o termo que pratica a ação na voz passiva.
Geralmente aparece com:
por;
pelo;
pela;
pelos;
pelas;
de, em alguns casos.
A banca anulou a questão.
Sujeito agente:
A banca
Objeto direto:
a questão
A questão foi anulada pela banca.
Sujeito paciente:
A questão
Locução verbal passiva:
foi anulada
Agente da passiva:
pela banca
Na voz passiva, quem pratica a ação pode não ser o sujeito.
Em:
A questão foi anulada pela banca.
Quem pratica a ação é “pela banca”.
Mas o sujeito é:
A questão.
A voz passiva sintética é formada por:
verbo transitivo direto + se
Nesse caso, o “se” recebe o nome de:
partícula apassivadora;
pronome apassivador;
PA.
Vendem-se casas.
Transformação:
Casas são vendidas.
Logo:
casas = sujeito paciente
se = partícula apassivadora
vendem = concorda com casas
Alugam-se apartamentos.
Transformação:
Apartamentos são alugados.
Logo:
apartamentos = sujeito paciente
se = partícula apassivadora
Aparece com verbo transitivo direto.
Permite transformação para:
é/são + particípio
Exemplo:
Vendem-se casas.
Casas são vendidas.
Aparece com verbo que não admite voz passiva sintética, geralmente:
verbo transitivo indireto;
verbo intransitivo;
verbo de ligação.
Exemplo:
Precisa-se de funcionários.
Não dá para transformar em:
Funcionários são precisados.
Logo:
se = índice de indeterminação do sujeito
sujeito = indeterminado
verbo = fica na 3ª pessoa do singular
VTD + se + termo sem preposição = possível voz passiva sintética.
VTI + se + termo preposicionado = sujeito indeterminado.
O adjunto adnominal acompanha um substantivo para determinar, caracterizar ou especificar.
Pode ser representado por:
artigo;
pronome;
numeral;
adjetivo;
locução adjetiva.
Os dois alunos estudiosos passaram.
Substantivo núcleo:
alunos
Adjuntos adnominais:
os, dois, estudiosos
Meu caderno novo sumiu.
Adjuntos: meu, novo.
A casa de madeira caiu.
Adjunto: de madeira.
O primeiro candidato chegou.
Adjuntos: o, primeiro.
Artigo
Adjetivo
Locução adjetiva
Pronome adjetivo
Numeral adjetivo
Adjunto adnominal não é predicativo.
Compare:
O aluno dedicado passou.
“dedicado” acompanha o substantivo “aluno”.
Adjunto adnominal.
O aluno estava dedicado.
“dedicado” caracteriza o sujeito por meio de verbo de ligação.
Predicativo do sujeito.
Quando um termo preposicionado se liga a um nome, a banca pode perguntar:
é adjunto adnominal ou complemento nominal?
O ponto mais importante é observar o sentido.
Completa o sentido de um nome.
Costuma ter sentido paciente.
Acompanha o substantivo.
Pode indicar:
agente;
posse;
autoria;
matéria;
característica;
especificação.
A crítica do professor foi dura.
O professor criticou.
Ele pratica a ação.
Logo:
do professor = adjunto adnominal.
A crítica ao professor foi dura.
O professor foi criticado.
Ele sofre a ação.
Logo:
ao professor = complemento nominal.
A leitura do texto foi difícil.
O texto foi lido.
Ele sofre a ação.
Logo:
do texto = complemento nominal.
A leitura do aluno melhorou.
O aluno leu.
Ele pratica a ação.
Logo:
do aluno = adjunto adnominal.
Quem pratica = adjunto adnominal.
Quem sofre = complemento nominal.
Sujeito inteiro:
Os alunos dedicados da escola
Núcleo:
alunos
Estudamos muito.
Sujeito oculto, elíptico ou desinencial: nós.
Falaram mal do candidato.
Sujeito indeterminado, se não houver referência anterior.
A banca anulou a questão.
A banca = sujeito agente.
A questão foi anulada pela banca.
pela banca = agente da passiva.
A professora corrigiu a prova.
a prova = objeto direto.
A prova foi corrigida pela professora.
a prova = sujeito paciente.
O aluno estudou.
Predicado verbal.
O aluno está cansado.
Predicado nominal.
O aluno dedicado passou.
dedicado = adjunto adnominal.
O aluno estava dedicado.
dedicado = predicativo do sujeito.
“Todo termo após verbo de ligação é predicativo.”
Cuidado.
É preciso verificar se o termo indica característica ou circunstância.
“Todo verbo ser ou estar é verbo de ligação.”
Errado.
Em algumas construções, podem indicar existência, localização ou circunstância.
O aluno está na sala.
“está” = verbo intransitivo.
“na sala” = adjunto adverbial de lugar.
“Todo ‘se’ indica voz passiva.”
Errado.
Pode ser partícula apassivadora ou índice de indeterminação do sujeito, entre outros usos.
“Agente da passiva é sempre sujeito.”
Errado.
Na voz passiva, quem pratica a ação é o agente da passiva.
O sujeito sofre a ação.
“Se o sujeito não aparece escrito, é indeterminado.”
Errado.
Pode ser sujeito oculto, elíptico, desinencial ou implícito.
“Todo adjetivo é predicativo.”
Errado.
Pode ser adjunto adnominal.
“Predicado verbal só tem verbo, sem complemento.”
Errado.
Predicado verbal pode ter objeto direto, objeto indireto e adjuntos.
Núcleo do sujeito: palavra principal do sujeito.
Sujeito oculto: também chamado de elíptico, desinencial ou implícito.
Sujeito indeterminado: não pode ser identificado com precisão.
Sujeito paciente: sofre a ação na voz passiva.
Agente da passiva: pratica a ação na voz passiva.
Predicado verbal: núcleo é verbo significativo.
Predicado nominal: verbo de ligação + predicativo.
Predicado verbo-nominal: verbo significativo + predicativo.
Verbo de ligação: liga sujeito a característica.
Verbo intransitivo: pode aparecer com adjunto adverbial de lugar.
Partícula apassivadora: VTD + se, com sujeito paciente.
Índice de indeterminação do sujeito: indetermina o sujeito, com verbo no singular.
Adjunto adnominal: acompanha substantivo.
Complemento nominal: completa nome e pode ter sentido paciente.
Antes de classificar, pergunte:
Qual é o verbo?
Quem é o sujeito?
O sujeito pratica ou sofre a ação?
O termo caracteriza sujeito ou objeto?
O termo acompanha um substantivo?
O “se” permite transformação para voz passiva analítica?
O termo preposicionado pratica ou sofre a ideia do nome?
Não classifique pela aparência.
Classifique pela função.
Julgue o item.
Na oração “A divulgação dos resultados provisórios do concurso gerou grande expectativa”, o núcleo do sujeito é “resultados”.
Gabarito: Errado.
Comentário GB:
O sujeito completo é:
A divulgação dos resultados provisórios do concurso
O núcleo do sujeito é:
divulgação
“Dos resultados provisórios do concurso” apenas completa ou especifica o nome dentro da estrutura.
Pegadinha:
A banca coloca um termo no plural próximo para fazer o candidato esquecer o núcleo real do sujeito.
Julgue o item.
Na oração “Consertam-se relógios antigos nesta oficina”, o termo “relógios antigos” exerce função de objeto direto do verbo “consertam”.
Gabarito: Errado.
Comentário GB:
A estrutura é de voz passiva sintética:
Consertam-se relógios antigos.
Transformação:
Relógios antigos são consertados.
Logo:
relógios antigos = sujeito paciente
se = partícula apassivadora
Pegadinha:
Na voz passiva sintética, o termo que parece objeto direto pode ser sujeito paciente.
Julgue o item.
Em “O réu ouviu a sentença imóvel”, o termo “imóvel” exerce função de adjunto adverbial de modo, por indicar o modo como o réu ouviu a sentença.
Gabarito: Errado.
Comentário GB:
“Imóvel” é adjetivo e caracteriza o sujeito “o réu”.
Ele indica o estado do réu no momento da ação.
Logo:
imóvel = predicativo do sujeito
O predicado é verbo-nominal.
Pegadinha:
Se fosse “imovelmente” ou “sem se mover”, a análise poderia caminhar para circunstância de modo. Mas “imóvel” caracteriza o sujeito.
Julgue o item.
Na frase “A leitura do texto clareou as ideias dos alunos”, o termo “do texto” classifica-se como complemento nominal.
Gabarito: Certo.
Comentário GB:
“Leitura” é substantivo abstrato ligado ao ato de ler.
O texto não pratica a ação de ler.
O texto é lido.
Logo, tem sentido paciente.
Por isso:
do texto = complemento nominal.
Pegadinha:
Se fosse “a leitura do aluno”, e o aluno fosse quem leu, o termo poderia ser adjunto adnominal.
Julgue o item.
Na frase “Não se necessita de novos guias de estudo nesta disciplina”, o sujeito classifica-se como indeterminado.
Gabarito: Certo.
Comentário GB:
O verbo “necessitar” exige preposição:
necessita de algo
Temos:
verbo transitivo indireto + se
Nesse caso, o “se” funciona como índice de indeterminação do sujeito.
Logo:
sujeito indeterminado.
Pegadinha:
Não confunda com voz passiva sintética. Não é possível dizer:
novos guias são necessitados.
núcleo do sujeito;
sujeito oculto, elíptico ou desinencial;
sujeito indeterminado;
sujeito paciente;
agente da passiva;
voz passiva analítica e sintética;
partícula apassivadora;
índice de indeterminação do sujeito;
predicado verbal x nominal;
verbo estar como ligação ou intransitivo;
predicativo infiltrado;
adjunto adnominal;
complemento nominal.
A banca não cobra só o nome do termo.
Ela cobra a função real dele na frase.